La mia missione

Prendo spunto dalla ultime considerazioni di Mauro per riflettere e cercare di superare la sensazione di impotenza del nostro cuore “pieno di tristezza”.
Se il paese ha diciso di non dare il primo passo, se la risposta al referendum è stata No, io invece dico Sì, e sono sicura di non essere da sola. La cecità collettiva che ha colpito la mia gente è il sintomo di una malattia che viene da lontano, da anni e anni di oppressione e di ignoranza. Hanno trasformato gli individui in massa amorfa, preda di chi offre di più. Dire No, è la cosa più facile; il Sì impegna ad un cambiamento prima di tutto personale, poi collettivo. Io sono disposta a cambiare. E sono certa che il mio Sì diventerà il Sì di tutti noi.

La mia missione
(João Nogueira)

Quando canto
è per consolare il mio pianto
e il pianto di chi
ha già tanto sofferto

Quando canto
sento la luce di un santo
mi inginocchio ai piedi di Dio
Canto per annunciare il giorno
canto per amenizzar la notte
canto per denunciare la frusta
canto anche contro la tirrannia.
Canto perchè in una melodia
accendo nel cuore della gente
la speranza di un mondo nuovo
e la lotta per poter vivere in pace!

Dal potere della creazione
discendo
e voglio ringraziare:
è stata esaudita la mia supplica
sono messaggero della musica.
Il mio canto è una missione
ha la forza di una preghiera
ed io compio il mio dovere
A quelli che vivono in pianto
io vivo per cantare
e canto per vivere!

Quando io canto, la morte mi percorre
libero un grido dal profondo…
e la cicala quando canta muore
e la legna quando muore canta!

Carissimi amici,
ecco in questa straorinaria poesia la vera essenza della mia gente.
Il risultato del referendum, è dettato dalla contingenza della situazione politica degli ultimi mesi, dagli scandali di corruzione di un governo eletto come simbolo di speranza rivelatosi poi, di essa, il suo più grande assassino.
Mi piace pensare alla mia gente che canta un lamento muto al suono di tamburi antichi.
È l’origine di tutto un popolo, la mia origine.
Io africana figlia di schiavi,
sorella di indios sopravvissuti,
madre di emigranti europei
fuggiaschi da guerre infinite e dalla fame nera.
Io “favelada”,
io menina de rua,
disoccupata io, in fila d’attesa.
Anch’io canto per mitigare l’oscurità della notte.
La notte della ragione,
dell’anima che dorme e muore
nella miseria dei festeggiamenti di un referendum
vinto con la menzogna
e con la paura
attraverso la tirannia di una informazione faziosa
che ci ha illuso di poter farci sentire più sicuri
con un’arma in mano.
E allora canto per denuciare il tormento
affichè le mie grida
sveglino l’anima dal suo terribile sonno,
perchè si accorga finalmente di quanto potrebbe essere forte,
di come sarebbe tutto diverso se solo lo riuscisse a capire.
La mia gente,
povera gente inerme che sogna armarsi e sparare a se stessa…
Ma vorrei cantare anch’io
per annunciare il giorno
e la speranza del mondo nuovo
dove la vita non sia più sopravvivenza
ma la concretezza di un progetto,
la melodia di un sogno,
la luce della musica.
Vorrei cantare,
io,
sola,
a cappella,
la bellezza della mia gente
e la gioia di averla ritrovata.

Edith Moniz

Inspirada pelas considerações de Mauro, quero refletir para procurar vencer a sensação de impotência do nosso coração “cheio de tristeza”.
Se o país decidiu de não dar o primeiro passo, se a resposta ao referendo foi Não, eu, ao contrário digo Sim, e estou certa de não estar sozinha. A cegueira coletiva que afetou a minha gente é o sintoma de uma doença que vem de longe, de anos e mais anos de opressão e de ignorância.
Transformaram os indivíduos em massa amorfa, vítimas de quem oferece mais. Dizer Não é a coisa mais fácil; o Sim obriga a uma mudança, antes de mais nada, pessoal, depois coletiva. Eu estou disposta a mudar. E estou certa que o meu Sim se tornará o Sim de todos Nós.

Minha missão
(João Nogueira)

Quando eu canto
è para aliviar meu pranto
e o pranto de quem já
tanto sofreu

Quando eu canto
estou sentindo a luz de um santo
estou ajoelhando
aos pés de Deus
Canto para anunciar o dia
canto para amenizar a noite
canto para denunciar o açoite
canto também contra a tirania
Canto porque numa melodia
acendo no coração do povo
a esperança de um mundo novo
e a luta para se viver em paz!

Do poder da criação
sou continuação
e quero agradecer
foi ouvida minha suplica
mensageiro sou da música
O meu canto é uma missão
tem força de oração
e eu cumpro o meu dever
Aos que vivem a chorar
eu vivo pra cantar
e canto pra viver!

Quando eu canto, a morte me percorre
eu solto um canto da garganta…
e a cigarra quando canta morre
E a madeira quando morre canta!

Caríssimos amigos,
está aqui, nesta extraordinária poesia, a verdadeira essência da minha gente.
O resultado do referendum foi ditado pela contingência da situação política dos últimos meses, pelos escândalos de corrupção de um governo eleito como símbolo de esperança que acabou se revelando, desta mesma esperança, o seu maior assassino.
Mas gosto de pensar na minha gente que canta um lamento mudo ao som de antigos atabaques.
É a origem de todo um povo, a minha origem.
Eu africana filha de escravos,
irmã de índios sobreviventes,
mãe de migrantes europeus
fugidos de guerras infinitas e da fome mais negra.
Eu favelada,
eu menina de rua
desempregada eu, na fila de espera.
Também canto para amenizar a escuridão da noite.
A noite da razão,
da alma que dorme e morre
na miséria dos festejos de um referendo
ganho com a mentira
e com o medo
pela tirania de uma informação parcial
que nos iludiu de podermos nos sentir mais seguros
com uma arma na mão.
E então canto para denunciar o tormento
para que os meus gritos
acordem a alma do seu sono terrível,
para que esta perceba enfim o quanto poderia ser forte,
de como seria tudo diferente se somente
conseguisse entender.
A minha gente,
pobre gente inerme que sonha se armar e atirar em si mesma…
Mas eu também queria cantar
para anunciar o dia
e a esperança do mundo novo
onde a vida não seja mais sobrevivência
mas a concretude de um projeto,
a melodia de um sonho,
a luz da musica.
Queria cantar,
eu,
só,
a capela,
a beleza da minha gente
e a alegria por tela reencontrada.

Eidth Moniz