Stando zitta

Lasciatemi ascoltare

il silenzio.

Il silenzio necessario perché possa capire.

Per poter vedere.

Per riuscire a sentirmi.

Voglio il silenzio.

Non quello mesto e malinconico della sconfitta.

Voglio un silenzio diverso da quello ameboide e appiccicoso,

quel silenzio parolaio da pacche sulle spalle ed incentivi inutili,

quel silenzio commosso e unto di tante belle intenzioni.

Voglio silenzio adesso,

un silenzio

solido come asfalto, come legnate sulla schiena;

un silenzio

di sguardi analfabeti e animaleschi;

un silenzio

ammalato di piaghe non curate;

un silenzio

abusato da tutti;

il mio silenzio impotente e grandioso davanti a un figlio non mio

ma mio lo stesso;

un silenzio mio, nostro;

un silenzio

di un paese che dimentica se stesso;

un silenzio

che rispetti il mio silenzio;

un silenzio inginocchiato con me

davanti a questo scatolone

dove è un menino nato

e muto

brasiliani occhi enormi

a penetrare in me.

Glielo dirò io che è nato

Lo dirò a ciascuno di loro

Lo dirò a tutti loro

Zitta, glielo dirò.

E finalmente

lo capiremo insieme,

Ascoltando il Silenzio.

Edith Moniz

São Paulo, Brasil, Natale 2005

 

 

Calada

Deixem-me ouvir

o silêncio.

O silêncio necessário para que entenda.

Para poder enxergar

Para conseguir me ouvir

Quero o silêncio

Não aquele tristonho e melancólico da derrota.

Quero um silêncio diferente daquele amebóide e grudento,

aquele silêncio falador de tapinha nas costas e inúteis incentivos,

aquele silêncio comovido e pegajoso de tantas belas intenções

Quero silêncio agora

um silêncio

sólido como asfalto, como porradas nas costas;

um silêncio

de olhares analfabetos e animalescos;

um silêncio

doente de feridas não curadas;

um silêncio

abusado por todos;

o meu silêncio impotente e grandioso frente a um filho não meu

mas, assim mesmo, meu

um silêncio meu, nosso;

um silêncio

de um país que esquece a si mesmo;

um silêncio

que respeite o meu silêncio;

um silêncio ajoelhado comigo

frente a este caixote

onde é um menino nascido

e mudo

brasileiros olhos enormes

a penetrar em mim

Direi a eles todos que nasceu

Direi a cada um

Direi a todos

Calada, direi.

E finalmente

entenderemos juntos,

Ouvindo o Silêncio.

Edith Moniz

São Paulo, Brasil, Natal de 2005