Va bene ragazzi, adesso basta.

Torniamo a lavorare. Avete discusso molto. Certo, discutere fa bene, significa confrontarsi, crescere, cambiare idea, ascoltare, migliorarsi. Ho seguito attentamente quello che vi siete detti. A dir la verità ho cercato di dissuadere Paolo dal cominciare, ma ormai penso che abbiate capito come è fatto e che razza di capoccia dura abbia e le mie suppliche a poco sono servite…
Il fatto è che avete ragione tutti e tre.
Mi spiego. Il vescovo don Cappio non è uno sprovveduto, né un lunatico, né tanto meno un incosciente. È un uomo che ama la sua gente e la sua terra come pochi.
È vero che i movimenti sociali limitano le loro azioni a rivendicazioni di carattere locale che non includono le grandi tematiche nazionali. Ma è anche vero che il governo, questo e tutti gli altri, passa sopra ai movimenti popolari, travalicando accordi, infischiandosene delle leggi, triturando intere comunità e non importandosi affatto della preservazione dell’ambiente. D’altra parte don Cappio condiziona il dialogo alla sua determinazione di digiunatore ad libitum caso non vengano accolte le sue richieste, uccidendo in questo modo qualunque possibile dialettica tra fazioni contrapposte. Però ha intrapreso questa azione solamente quando tutte le altre vie gli erano state precluse.
Insomma, avete ragione tutti e tre.

Vedi Paolo, io ti capisco bene, so come la pensi, conosco la grande passione con cui ti sei innamorato della mia terra e della mia gente a tal punto da sentirtene parte. Ma non esagerare, vacci piano. So perfettamente quello che hai sofferto in passato per mano di certa gente, so che dentro di te è rimasta, anche se cerchi di nasconderla come puoi, una puntina di voglia di vendetta (sei di carne ed ossa pure tu, altro che grande Lombardo…) ma non fare di tutta un’erba un fascio, non generalizzare. Siamo tutti sulla stessa barca, tutti. E lavoriamo tutti per e con la nostra gente.
È normale che sorgano divergenze. Non pensare che, solo perché gli amici abitano in Italia, non sappiano capire a fondo i nostri problemi. Alberto dice che alla fine bisogna fidarsi anche del cuore e nel profondo del cuore l’uomo è uguale dappertutto.

E tu Mauro carissimo, Maluco Beleza, che non ti risparmi, non ti tiri indietro, che ti butti e ti prendi cura, tu sei proprio quello che vorremmo che tutti gli italiani fossero, cittadini del mondo, amici fraterni disposti a camminare al nostro fianco con l’umiltà di imparare anche da chi sembra che per la sua estrema povertà, non abbia niente da insegnare.

Caro Alberto, le forti ragioni con cui difendi le tue posizioni sono anche le mie. Ci siamo incontrati una volta sola, ma sappiamo molto bene cosa ci unisce.
Quindi ragazzi, bando alle ciance e torniamo al lavoro.
Che Dio vi benedica.

Edith

Tá bom gente, agora chega.

Voltamos ao trabalho. Já discutiram o bastante. Claro, discutir faz bem, significa se confrontar, crescer, mudar de idéia, ouvir o outro, melhorar a si mesmo. Segui com muita atenção tudo aquilo que vocês disseram. Para dizer a verdade, tentei dissuadir Paolo de começar, mas penso que vocês já devem ter entendido o jeito dele e a cabeça dura que tem: as minhas súplicas serviram pouco ou nada…
O fato é que os três têm razão. Explico: o bispo dom Luís não é um simplório, nem um lunático nem tampouco um inconsciente. É um homem que ama a sua gente e a sua terra como poucos.
É verdade que os movimentos sociais limitam as suas reivindicações a intervenções pontuais de caráter local que não incluem as grandes temáticas nacionais. Ao mesmo tempo, é também verdade que o governo, este e todos os outros, passa por cima de tais movimentos, quebrando acordos, não considerando as leis, esmagando inteiras comunidades e não se importando um mínimo com a preservação do meio ambiente. Por outro lado, dom Luís, condiciona o diálogo à sua determinação de grevista ad libitum caso não sejam ouvidas as suas condições, matando desta forma qualquer possibilidade dialética entre facções contrapostas. Porém, tomou esta decisão somente após ter exaurido todos os outros recursos. Então, os três tem razão.

Viu Paolo, eu te entendo muito bem, sei como pensa, conheço o grande alento que te fez apaixonar pela minha terra e pela minha gente ao ponto de você se enxergar e se sentir como um de nós. Mas não exagera, pega leve. Sei perfeitamente quanto sofreu por causa de certas pessoas, sei que dentro de você, mesmo que tente esconder de todas as formas, ficou uma pontinha de vontade de vingança (você é de carne e osso também e não um grande Lombardo…) mas é bom separar as coisas, não generalizar. Estamos todos no mesmo barco, todos. E trabalhamos todos para e com a nossa gente. Ter divergências é normal. Não pode pensar que somente por morarem na Itália, os nossos amigos não saibam entender em profundidade os problemas daqui. Alberto diz que precisa confiar também no coração, e nas profundezas do coração, o homem é igual em qualquer lugar.

E você Mauro caríssimo, Maluco Beleza, que não poupa esforços, que nunca fica com um pé atrás, que não tem medo de se envolver para tomar conta, você é mesmo como queríamos que fossem todos os italianos, cidadãos do mundo, dispostos a caminhar ao nosso lado com a humildade de aprender até mesmo com quem parece, de tão pobre que é, não ter nada para ensinar.

Caro Alberto, as fortes razões com as quais defende as suas posições, são minhas também. Nos encontramos uma vez só, mas sabemos muito bem o que nos une.
Então rapaziada, chega de papo e voltamos ao trabalho.
Que Deus vos abençoe.

Edith