I tuoi figli

I recenti avvenimenti mi obbligano alla riflessione e a scrivere, per lo meno per condividere la mia angoscia. Sta su tutti i gionali, alla televisione, nelle chiacchiere della gente.

Non tradurrò gli articoli in italiano, è un compito troppo gravoso e so che la mia parole saranno credute lo stesso.

Il pensiero dichiarato è molto chiaro: il centro deve tornare ad essere lo specchio della città. E su questo non possiamo che essere d’accordo. Però questa idea parte da presupposti completamente contrari ai nostri. Prevede infatti l’allontanamento fisico della povertà in luoghi sempre più lontani, come se il non vedere possa significare la sua non esistenza. E questa non è solamente una forma distorta di pensare, è un modo di agire che contamina le relazioni sociali, che crea cittadini di prima, seconda e terza categoria. Senza parlare poi dei bambini.

Il comune vuole in tutti i modi liberarsi dei suoi cittadini più deboli, della povertà e della miseria che questi sparpagliano senza pudore in ogni angolo della città. Il modo più rapido e, secondo l’opinione dei maggiorenti, più efficace, è la deportazione in massa, come è successo l’anno scorso nel quartiere chiamato crackolandia, del quale ne abbiamo già parlato. Non riuscendo nell’intento – i meninos de rua continuano a vagabondare in aree contigue –, il comune ha comiciato a creare difficoltà agli indesiderabili usando metodi che ostacolano la permanenza di bambini e adulti nei luoghi pubblici, come le polemiche rampe anti-mendicante nella avenida Paulista. Neanche questo ha funzionato. Le presone che avevano fatto dei tunnel la loro casa, si sono trasferite nel sottopassaggio più vicino. L’unica politica pubblica in favore dei più umili, è fare di tutto per non vederli.

L’ultima strategia, prima pensata e poi messa in pratica, è la distribuzione di soldi.

Per ogni morador de rua, per ogni seza tetto, il comune dà, letteralmete, in mano, cinque mila reais in contanti affiché se ne torni alla sua città di origine, affiché se ne vada.

Quello che succede in realtà è facilissimo da constatare. Nessuno usa i soldi (è bene ricordare, soldi pubblici) per lo scopo previsto da chi ha avuto queta idea. C’è chi ne approfitta per organizzare sbronze in massa, c’è chi se ne serve per saldare i propri debiti od anche per aiutare i suoi familiari bisognosi. La notizia si è sparsa e molta gente sta arrivando a San Paolo da altre città per fingersi mendicante o senza tetto e così ricevere tanti bei soldini.

Il giornale di oggi riporta in prima pagina la foto di un agente di polizia mentre aiuta uno dei miei meninos di rua a drogarsi. Niente, ormai, mi spaventa. Il traffico di droga e principalmente l’uso dei bambini come trafficanti, esiste solamente perché è incentivato e protetto da una strategia di poliziotti corrotti che domina la regione. Ogni tanto, lotte intestine per il potere, provocano l’arresto dell’uno o dell’altro. L’azione è preparata meticolosamente, la stampa viene avvista in tempo affinché nel telegiornale della sera e nei quotidiani del giorno dopo, si veda quanto la nostra polizia è efficiente: arriva perfino a catturare membri corrotti, chiamati com enfasi “cattivi poliziotti”.

Quello che dico è frutto di esperienza vissuta, per aver toccato con mano. È facile capire perché minacce di tutti i tipi cadono sempre su di me e il mio lavoro. L’aiuto non viene, non può venire da questa o quella istituzione alla quale comunico costantemente queste situazioni; la risposta alle mie grida sta nel cuore degli uomini. La questione è sempre la stessa: considerare il bambino come un problema! Considerare il senza tetto, l’uomo di strada come un problema. Considerare le persone, la gente, come un problema!

Mentre scrivo, ascolto distrattamente la radio che annuncia lo smantellamento di una banda specializzata in traffico di bambini per l’estero. Si parla di centinaia espatriati illegalmente per fornire il mercato della prostituzione infantile. Col cuore in gola ascolto la notizia terribile, quello che, così mostruoso, arriva a essere inconcepibile: si sospetta che molti di questi bambini scomparsi vengano usati per il traffico di organi.

Vorrei terminare queste righe com una frase di speranza, una di quelle frasi che ti commuovono. Non resco a dire più niente, non riesco pensare a niente.

Signore, proteggi i tuoi figli.

Edith Moniz

 

Os teus filhos

Os recentes acontecimentos me obrigam à reflexão e a escrever, pelo menos para compartilhar a minha angustia. Está nos jornais, na tevê, na boca do povo.

Não traduzirei o artigo em italiano, é uma tarefa muito penosa e sei que a minha palavra é suficiente.

O pensamento declarado é muito claro: o centro tem que voltar a ser o espelho da cidade. E sobre isto não podemos discordar. Porém, esta idéia parte de pressupostos completamente contrários aos nossos. Prevê de fato o afastamento físico da pobreza para lugares que sejam cada vez mais longe, como se o não ver significasse imediatamente a sua não existência. E isto não é somente uma forma contorcida de se pensar, é um modo de agir, que contamina os relacionamentos sociais criando cidadãos de primeira, segunda e até terceira categoria. Isto sem falar das crianças.

A prefeitura quer de todas as forma se livrar dos seus cidadãos mais desprotegidos, da pobreza e da miséria que estes espalham sem pudor em qualquer canto da cidade. A maneira mais rápida e, na opinião dos maiorais, eficaz é a deportação em massa, como aconteceu o ano passado com as crianças do bairro da crackolandia sobre a qual já escrevemos. Não conseguindo – as crianças mudaram de lugar e agora perambulam em áreas próximas –, a prefeitura passou a dificultar a vida dos indesejados, usando os métodos intimidatórios à permanecia de crianças e adultos nos lugares públicos, construindo barreiras e obstáculos intransponíveis como as polêmicas rampas ante-mendigos da avenida Paulista. Isto também não funcionou. As pessoas que tinham feito morada dos túneis, também mudaram de lugar. A única política pública em favor dos mais humildes é fazer de tudo para não vê-los.

A última estratégia, pensada e atuada, é distribuir dinheiro.

Para cada homem de rua, para cada sem teto, a prefeitura dá, literalmente falando, nas mãos, cinco mil reais em dinheiro vivo para que este volte ao seu município de origem, para que ele vá embora.

O que está acontecendo é fácil de se constatar. Ninguém está usando o dinheiro (é bom frisar: dinheiro público) para o fim previsto por quem teve esta idéia. Há quem aproveita para promover bebedeiras em massa, há quem o usa para quitar suas dívidas pessoais como também para ajudar familiares mais necessitados. A notícia se espalhou e muita gente de outras cidades está chegando em são Paulo fingindo-se mendigo ou sem teto para ganhar um dinheirinho.

O jornal de hoje traz na primeira página a foto de um policial ajudando um dos meus meninos de rua a se drogar. Nada mais me espanta. O tráfico de droga e, principalmente, o uso dos meninos como traficantes, existe somente porque é incentivado e protegido por uma estratégia de policiais corruptos que domina a região. De vez em quando brigas de poder entre eles causam a prisão de um ou outro. A ação é preparada com cuidado, a imprensa é avisada com antecedência para que, no telejornal da noite e nos diários do dia seguinte, se mostre quanto a nossa polícia é eficiente: chega até a prender membros corruptos, chamados com ênfase de “maus policiais”.

O que digo é fruto de experiência vivida, é conhecimento de causa. Não é por nada que ameaças de todos os tipos estão sempre sobre mim e o meu trabalho. A ajuda não vem, não pode vir desta ou daquela instituição a qual comunico constantemente estas situações, a resposta aos meus gritos está no coração dos homens. A questão é sempre a mesma: considerar a criança um problema! Considerar o sem teto, o homem de rua, um problema. Considerar pessoas como problemas!

Enquanto escrevo, distraidamente escuto o rádio que anuncia o desmantelamento de uma quadrilha especializada em tráfico de crianças para o exterior. Fala-se de centenas delas expatriadas ilegalmente para abastecer o mercado da prostituição infantil. Segurando a respiração escuto a notícia terrível, aquilo que de tão monstruoso chega a ser inconcebível: suspeita-se que muitas destas crianças desaparecidas sejam usadas para o tráfico de órgãos.

Queria terminar estas linhas com uma frase de esperança, uma daquelas frases que enchem o peito e comovem. Não consigo dizer mais nada, não consigo pensar em mais nada.

Senhor, olhai os teus filhos.

Edith Moniz