Tutto fa brodo

Fare attenzione a quello che gli altri dicono di noi è una mania tipica dei brasiliani. Abbiamo un complesso di inferiorità che ci accompagna da sempre e che molte volte per vincerlo, per superare la frustrazione che noi stessi ci imponiamo, lo trasformiamo in un odioso vangloriarsi. E così cominciamo a vantarci delle cose nostrane al di là del limite della sanità mentale. All'epoca della dittatura militare arrivammo a dire: Brasile, amalo o vattene. Confondiamo le prodezze e le sconfitte dei nostri campioni del calcio con il destino della patria. Insomma, siamo un popolino niente male… In tutti questi anni abbiamo progredito e oggi non siamo più a quel livello ma siamo ancora convinti che Deus è brasileiro, Dio è brasiliano. E la visita del Papa non fa altro che confermare la nostra importanza. Se Deus é brasileiro, o Papa é carioca, disse joão Paulo II. E Benedetto XVI con la sua giovialità e nonostante vecchi contrasti, a partire da oggi è caduto nella simpatia popolare.
Va bene, ma non volevo parlare di questo. Il complesso di inferiorità. In occasione della venuta papale sono stati pubblicati articoli di giornale e servizi televisivi sul Brasile nei mezzi di comunicazione di tutto il mondo. Non ho potuto fare ameno di assistere alle trasmissioni italiane. L'internet e la Rai Internationl sono accessibili a chiunque. Purtroppo ho constatato che le informazioni divulgate, pur corrispondenti alla verità, sono sempre quelle più trite e ritrite, millevolte viste e mille volte divulgate, le immaginie i commenti di sempre. Brasile, terra di contrasti, e vai con le immagini della favela di fianco allo shopping center. Brasile, le sette evangeliche. Brasile, l'esercito di miserabili. Non mi sto lamentando per esigere scuse formali. È solamente una constatazione. Il luogo comune, è un sentiero così battuto e pestato che finiamo col caderci pure noi. Allo stadio in occasione dell'incontro con i giovani, abbiamo presentato al povero papa uno spettacolo di danza e musica suppostamente folclorico ma che in realtà non andava oltre ad una specie di pastiche agrodolce di ciò che un occhio plastificato e, sì signore, globalizzato, pensa che sia il Paese. Il festival del kitsch ha toccato il suo apice, o il suo fondo, nella danza degli indios. Che indios non erano affatto. Ma sì gente travestita come tale. Un grande balletto, una orrenda pantomima. Tutto questo però non ha nessuna importanza. Niente, tutto questo è irrilevante e sciocco. La vera ragione del viaggio del papa era ben altra.
Una importante trasmissione televisiva della Rai per commentare la visita del Papa, ospitava nel suo studio varie personalità tra le quali alcune che sono state oggetto di veementi critiche in molti dei nostri scritti: o per aver promosso azioni violente contro meninos e moradores de rua, o per aver rifiutato di prendere posizione davanti a fatti gravissimi, per paura e convenienza. Erano lì in qualità di esperti della realtà nonché promotori di azioni di aiuto umanitario a "questo popolo così provato".
Ancora una volta il nostro popolo considerato come oggetto di intervento, bisognoso, supplicante per l'aiuto esterno. Il concetto di "aiuto" è molto differente da quello di "collaborazione". Con l'aiuto io aspetto te. Con la collaborazione io lavoro con te. Vogliamo ripetere di nuovo la nostra convinzione riguardo il principio della reciprocità. Tu dai una cosa a me, io do una cosa a te. Domanda: quanti sono i brasiliani in Italia profondi "conoscitori" dei suoi problemi sociali? Quanti volontari brasiliani fondano progetti di aiuto e promozione umana per gli italiani poveri? Quanti brasiliani guardano l'Italia come un paese che necessita di aiuto esterno e che, proprio per questo motivo, deve adattarsi agli interventi stranieri che portano modelli prefabbricati di attuazione ai quali è necessario adattarsi in blocco per ottenere risultato?
È nata, ha preso corpo, ha prosperato e ha dato frutti l'idea della globalizzazione della bontà, il monopolio della carità, l'esclusività dell'aiuto ai poveri. Chi ci segue sa quanto queste grandi reti di collaborazione internazionale influiscono nel tessuto sociali e nella percezione che "i poveri"hanno di loro stessi, una volta che entrano a far parte del grande giro dell'industria della carità. I poveri. Noi e voi. Noi aiutiamo voi perché voi siete poveri. Io sono povero e ho bisogno del vostro aiuto. Grazie dell'aiuto. Di niente, figurati, caro povero, aiutarti, prima di essere un dovere, è un piacere.
Un giornalista italiano chiede ai colleghi brasiliani se lungo il percorso del papa ci siano le favelas e se sono numerose…
E va bene, falsi indios, favelas, ghetti, miserabili, meninos de rua, Brasil. Tutto fa brodo.

Edith Moniz
São Paulo, Brasil, 10 maggio 2007

Tutto fa brodo
É uma mania típica dos brasileiros prestar atenção àquilo que os outros falam de nós. Temos um complexo de inferioridade que nos acompanha desde sempre e que muitas vezes, para vencê-lo, para superar a frustração que nós mesmo nos impomos, o transformamos em odioso ufanismo. Então passamos a nos vangloriar das coisas nossas além de qualquer sanidade mental. Na época da ditadura militar chegamos a dizer: Brasil, ame-o ou deixe-o. Confundimos as proezas e as derrotas dos nossos craques de futebol com o destino da pátria. Em suma, somos um povinho nada mal… Nestes anos todos progredimos e hoje não estamos nesse ponto, mas ainda temos a convicção firme de que Deus é brasileiro. E a visita do Papa está ai a confirmar a nossa importância. Se Deus é brasileiro, o Papa é carioca, disse João Paulo II. E Bento XVI, com a sua jovialidade e apesar de antigas desavenças, a partir de hoje caiu nas graças do povo.
Tá bom, não é disso que eu quero falar. O complexo de inferioridade. Em ocasião da vinda papal foram publicadas matérias jornalísticas e televisivas sobre o Brasil nos meios de comunicação do mundo inteiro. Não pude deixar de assistir às transmissões televisivas italianas. A internet e a Rai International são acessíveis para quem queira. Infelizmente constatei que as informações divulgadas, mesmo correspondendo à verdade, são aquelas mais batidas, mil vezes vistas e mil vezes divulgadas, imagens e comentários de sempre. Brasil, terra de contraste, e lá vai a imagem da favela do lado do shopping center. Brasil, as seitas evangélicas. Brasil, o exército de miseráveis. Não estou recriminando o me queixando de algo. Estou só constatando. O lugar comum, é chão tão pisado e batido que nós mesmos caímos nisso. No estádio em ocasião do encontro com os jovens, apresentamos ao pobre papa um espetáculo de danças e músicas supostamente folclóricas, mas que não passavam de um pastiche adocicado daquilo que um olhar plastificado e, sim senhor, globalizado, acha que é o País. O festival do kitsch tocou o seu ápice, ou o seu fundo, na dança dos índios. Que índios não eram. Mas sim gente fantasiada como tal. Um grande baile, uma horrenda pantomima. Mas isso não tem importância nenhuma. Nada, isso tudo é irrelevante e bobo. A verdadeira razão da viagem do papa não era esta.
Uma importante transmissão da Rai para comentar a visita do Papa, hospedava em seu estúdio várias personalidades, entre as quais algumas que foram objeto de veemente crítica em muitos dos nossos escritos: ou por ter promovido ações violentas contra os meninos e os moradores de rua, ou por ter se omitido frente a fatos da maior gravidade por medo e conveniência. Estavam ali em qualidade de conhecedores da realidade e promotores de ações de ajuda humanitária a "este povo tão sofrido". Mais uma vez o nosso povo considerado como objeto de intervenção, como necessitado de ajuda externa. O conceito de "ajuda" é muito diferente daquele de colaboração. Na ajuda eu espero você. Na colaboração eu trabalho com você. Queremos repetir mais uma vez a nossa convicção a respeito do principio da reciprocidade. Tu dai una cosa a me, io do una cosa a te. Pergunta: quantos brasileiros existem na Itália conhecedores profundos dos seus problemas sociais? Quantos voluntários brasileiros fundam projetos de ajuda e promoção humana para os italianos pobres? Quantos brasileiros olham a Itália como um país que precisa de ajuda externa e que, para tanto, deve se adaptar as intervenções estrangeiras que levam modelos pré-moldados de atuação aos quais é preciso se adaptar para dar certo?
Nasceu, se fortaleceu, prosperou e deu fruto a idéia da globalização da bondade, o monopólio da caridade, a exclusividade da ajuda aos pobres. Quem nos segue, sabe quanto estas grandes redes de colaboração internacional influam no tecido social e na percepção que "os pobres" fazem deles mesmos uma vez que entram a fazer parte do grande giro da indústria da caridade. Os pobres. Nós e vocês. Nós ajudamos vocês porque vocês são pobres. Eu sou pobre e preciso da ajuda de vocês. Obrigado pela ajuda. De nada, querido pobre, ajudar você, antes de ser um dever, é um prazer.
Um jornalista italiano pergunta aos colegas brasileiros se ao longo do percurso do papa haveria favelas, e se elas eram numerosas…
Tudo bem, índios falsos, favelas, guetos, miseráveis, meninos de rua, Brasil. Tutto fa brodo.
Edith Moniz
São Paulo, Brasil, 10 de maio de 2007