Getzemani

Tu che lasci Tuo figlio nel profondo
Fai del silenzio Fortezza
E riempi la nostra vita di rumore
per nascondere il Tuo pianto
che nasce in noi

Sai di cosa siamo capaci
E, pentito,
Fuggi così lontano
che il cercarTi
non ha più senso

E diventiamo sordi
Indefiniti
Senza direzione
Senza casa
Alimentati dalla forza immensa dell’abitudine
Nell’apatia della ricerca vana
del Nome perduto

Vedo il pianto di Tuo figlio
E so che non c’è menzogna più grande
della verità
che toglie alle domande le ragioni
e alle ragioni i perchè

Il Tuo tacere incomprensibile
diventa compagnia
nella solitudine feroce
della mia esistenza

Nel piombo della disperazione
costruisco, per non morire,
castelli di vento
muraglie di luce,
per poter sorprendermi
sempre,
per essere capace d’Amore
nel mormorio vertiginoso
della bellezza della mia gente

Da sola tra milioni
scelgo
il Tuo silenzio:
Ai piedi della croce,
Signore,
me stessa.
Al sepolcro abbandonato,
Signore,
il dolore della mia felicità.

1973. Su um autobus gentilmente ceduto di una grande impresa di trasporti vengono caricati a forza decine di meninos. Poliziotti e cani per incutere terrore. Trascinati dal centro della città di San Paolo fino a Camanducaia. Alle due di notte si aprono le porte. I cani feroci e i cani in divisa, spingono i meninos giù dal burrone in un abisso di trenta metri. La censura della dittatura militare coprì il caso riducendo la notizia a qualche riga nelle pagine interne dei giornali. Il procuratore generale di San Paolo, Oscar Xavier de Freitas, archiviò il processo per non aver riscontrato crimine alcuno.

2008. Durante una inchiesta sulla corruzione nel Comune di Santa Isabel, città prossima a San Paolo, la magistratura registra la conversazione tra il consigliere giuridico del comune, Luciano Peres, e la segretaria di Promozione Sociale, Laura Pedroso, che verte sulla presenza in città di moradores de rua, uomini di strada:
  –  Non abbiamo altra forma di trascinare questa gente altrove se non ubriacandoli e portandoli via da qui.
 –  Che cosa devo fare?
 –  Prediamo un furgone e li portiamo a Rio de Janeiro.
 –  Giusto.
 –  Penso che è l’unica forma: vieni a passeggiare, vieni che ti aiutiamo… e così li portiamo via,       signora Laura.

Il consigliere aggiunge una nuova proposta:
 –  Faccia come se fossero lavori di giardinaggio, signora Laura, ma chiuda tutta la piazza con transenne e scriva: lavori comunali del sindaco Helio Buscarioli.
 –  Ah, se è solamente questo, allora… così loro spariscono da lì. È vero.

Il consigliere insiste:
 –  Trovi un modo di infilarli in un furgone e portarli via, ma li porti lontano, lontano davvero, per lo meno a 400 chilometri da qui.
 –  Giusto.
 –  Ha capito bene, signora? Non una città di provincia, ma una grande città perchè così non c'è modo di tornare. Ha capito, signora?
 –  Ho capito.

1973. 2008. Niente è cambiato. La denuncia cade nel vuoto di un comodismo sociale che corre dietro a quello che divulgano essere il treno della modernità: la notizia rapida, sempre di più, il flash dal mondo, il modo in casa tua. Le immagini e le notizie passano su di noi come odori sgradevoli di un deposito di immondizie umano incorreggibile. Nessuno più si ferma. Nessuno più ha il tempo di pensare. La settimana di passione è diventata modus vivendi, che si estende fino ai limiti dell’umano.
Parlare di situazioni estreme è parlare di ovvietà assolute nella noia della contemporaneità futile al suono di un telefono cellulare. Ma le cose accadono qui davanti a noi. Proprio qui.
Signore, misericordia.

São Paulo, Brasil, Settimana Santa 2008
Edith Moniz
Paolo D’Aprile

Getzemani

Tu que deixas Teu filho chorar
Faz do silêncio Fortaleza
Enches de barulho a nossa vida
para esconder Teu pranto
brotar em nós

Viu do que somos capazes
E, arrependido,
Foges tão longe
que o procurar-Te
esvasia-se de sentido

Ficamos surdos
Indefinidos
Sem rumo
Sem casa
Alimentados pela força imensa do hábito
na apatia da busca inútil
do Nome que perdemos

Depois de ver o Teu filho chorar
Entendi que a maior mentira
É a verdade nua
Que esvazia a pergunta das razões
E as razões dos porquês

O Teu calar incompreensível
Tornou-se companhia
na solidão feroz
da minha existência

No chumbo do desespero
Construí, pra não morrer,
Castelos de ventos
Muralhas de sol
Para poder me surpreender
sempre
Pra ser capaz de Amor
no murmúrio vertiginoso
da beleza da minha gente

Sozinha entre milhões
escolho
o Teu silêncio:
aos pés da Cruz,
Senhor,
Mim mesma.
Ao túmulo vazio
Senhor,
A dor de ser feliz

1973. Num ônibus, gentilmente cedido por uma grande empresa de transporte, são carregados a força dezenas de meninos. Policias e cães para incutir o terror. Arrastados do centro da cidade de São Paulo até Camanducaia. Às duas horas da madrugada abrem-se as portas. Os cães ferozes e os cães fardados empurram as crianças ladeira abaixo num abismo de trinta metros. A censura da ditadura militar abafou o caso, reduzindo a notícia a poucas linhas nas páginas internas dos jornais.  O procurador geral de São Paulo, Oscar Xavier de Freitas, arquivou o processo alegando ausência de crime.

2008. Durante uma investigação de corrupção na prefeitura de Santa Isabel, cidade próxima a São Paulo, a magistratura grava a conversa entre o assessor jurídico da prefeitura, Luciano Peres, e a secretária de Promoção Social, Laura Pedroso, a respeito da presença na cidade de moradores de rua:
  –  Nós não temos como arrastar esse povo pra outro lugar, a não ser embebedando e levando embora daqui.
  –  O que eu faço?
  –  Nós vamos pegar a perua e levar lá para o Rio de Janeiro.
  –  Isso.
  –   Acho que é a única oportunidade, venha passear, vamos resolver, e leva embora, Dona Laura.

O assessor acrescenta uma nova proposta:
  –  Nem que seja só pra fazer uma obra de jardinagem, Dona Laura, mas fecha a praça inteira com tapume e coloca lá: mais uma obra do governo Hélio Buscarioli.
  –  Ah, só se for isso, então. Daí, eles somem dali. É verdade.

O assessor insiste:
  –  Vê um jeito de colocar num carro e levar, mas levar pra bem longe mesmo, pelo menos uns 400 quilômetros daqui.
  –  Isso.
  –  A senhora entendeu? Não uma cidade do interior, uma cidade grande porque aí não tem como voltar. A senhora entendeu?
  –  Entendi.

!973. 2008. Nada mudou. A denúncia cai no vazio de um comodismo social que corre atrás daquilo que divulgam ser o trem da modernidade: a notícia cada vez mais rápida, o flash do mundo, o mundo na tua casa. As imagens e as notícias passam por nós como cheiros desagradáveis de um lixão humano incorrigível. Ninguém mais pára. Ninguém mais pensa. A semana da paixão tornou-se modus vivendi, estendeu-se até o limite do humano. Falar de situações extremas é falar obviedades obsoletas no tédio da contemporaneidade fútil ao som de um telefone celular. Mas as coisas estão ali na nossa frente. Bem ali.
Senhor, misericórdia.   

São Paulo, Brasil, Semana Santa de 2008
Edith Moniz
Paolo D’Aprile


la trasmissione che ha divulgato il dialogo:
http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed65/entrevista_jlouzeiro.asp
altre notizie sul caso:
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1675083-4005,00.html