Abertos enormes imensos

Carissimi amici,

vi scriviamo da lontano, da una terra per voi forse incomprensibile, da un paese in cui la morte è pane di tutti i giorni per milioni di persone, in cui la fatica del vivere mostra i suoi denti a ogni momento. Ma è una terra i cui abitanti, nonostante tutto – e forse proprio per questo – considerano benedetta. Una terra capace di trasformare la sofferenza degli uomini nella più straordinaria festa popolare del mondo. Una terra in cui il nome di Dio non viene mai pronunciato invano. Una terra che fu fondata col nome di Santa e Vera Croce.

Non ci sorprende il fatto che invece nella vostra terra, abbiate avuto paura dell’ultimo tra gli ultimi, di quell’uomo appeso al legno che, col suo infinito silenzio, ci rende liberi e uomini veri. Non ci stupiamo. Nella vostra ricchezza forse avete dimenticato la compassione. Forse siete stati abbagliati dalla vostra stessa opulenza che sbattete in faccia al resto delle nazioni e la vista dell’ultimo tra gli ultimi vi fa troppo male, vi offende.

Non abbiate paura, cari amici: qui per Lui, e anche per ognuno di voi, c’è posto.

APERTE ENORMI IMMENSE

Lo so che non piangi, amico mio,

però è come se lo fosse,

o forse sono io che in fondo

voglio pensare che sia cosi.

Ma non per vanità,

mi piace pensar così

per avere la scusa

di poterti consolare,

di poterti abbracciare e rimanere con te, amico mio.

Non devi piangere

perché a tutto questo ci sei abituato:

è da prima che nascessi che ti cacciano via…

hai dovuto condividere il posto con le bestie, ricordi?

O come quando sentisti il grido: Barabba, Barabba!

e, nel silenzio stagnante di quella folla inferocita,

la solitudine fu definitiva.

Senza più nessuno, solo.

E quello che là ti hanno fatto

non è stato per cattiveria.

Perdona, amico mio, perdona.

Hanno avuto paura.

Ancora oggi

non riescono a capire come tu,

nel tuo silenzio,

ti fai pane e abbraccio per tutti.

È per questo che ti voglio qui, coi miei meninos.

Noi ti capiamo,

ognuno di noi ha dentro di sé

il tuo allegro silenzio,

e qui, amico mio,

non sarai più solo

perché saremo in tanti a ripetere il gesto

che da molto tempo ci hai insegnato:

stenderemo le braccia

aperte enormi immense

come le braccia del Redentore al Corcovado,

fragili e malate

appassite ferite indebolite

come quelle dei miei (e tuoi) meninos,

delle strade senza fine

nella sofferenza senza fine

di questa città che non li vuole.

E allora finalmente ti vedrò sorridere

come e con la mia gente.

Vieni, mio Signore, non piangere,

vieni qui,

São Paulo, Brasil,

Terra de Santa Cruz

Terra de Vera Cruz

e fai tua la nostra terra

ché non ti daremo solo una parete,

ma un Paese intero.

São Paulo, Brasil, novembre 2009

Edith Moniz

Paolo D’Aprile

Caríssimos amigos,

escrevemos a vocês de longe, de uma terra talvez para vocês incompreensível, de um País em que a morte é pão de cada dia para milhões de pessoas, em que a fadiga do viver mostra os seus dentes a cada momento. Mas é uma terra que os habitantes apesar de tudo – e talvez por isso mesmo – consideram abençoada. Uma terra capaz de transformar o sofrimento dos homens na mais extraordinária festa popular do mundo. Uma terra na qual o nome de Deus nunca é pronunciado em vão. Uma terra que foi fundada com o nome de Santa e Vera Cruz. Não nos surpreende o fato de que na vossa terra, tiveram medo do último entre os últimos, daquele homem pendurado na madeira que com o seu infinito silêncio, nos liberta e nos transforma em verdadeiros homens. Não nos surpreende. Na vossa riqueza talvez esqueceram a compaixão. Talvez foram cegados pela mesma opulência que esbanjam para o resto das nações e a vista do último entre os últimos vos machuca demais, vos ofende.

Não tenham medo, caros amigos: para Ele, e também para cada um de vocês, aqui há lugar.

ABERTOS ENORMES IMENSOS

Eu sei que não estás chorando, meu amigo,

porém sinto que é como se estivesse;

ou pode ser que eu no fundo

goste de pensar assim.

Mas não é por vaidade,

gosto de pensar assim

para ter a desculpa de te consolar,

de te abraçar e ficar contigo, meu amigo.

Não podes estar chorando

porque a tudo isso estás acostumado:

fostes enxotado desde antes do teu nascimento…

tivestes de dividir o espaço com os bichos, lembras?

Ou como quando escutastes o grito: Barrabás, Barrabás!

e ficastes definitivamente só

no silêncio aterrador daquela multidão enfurecida.

Sem ninguém, só.

E o que lá te fizeram não foi por mal.

Perdoa, meu amigo, perdoa.

Eles ficaram com medo.

Ainda hoje

não conseguem entender como tu,

no teu silêncio,

te fizestes pão e abraço para todos.

É por isso que te quero aqui, com os meus meninos.

Nós te entendemos,

nós temos dentro de cada um

o teu alegre silêncio,

e aqui, meu amigo,

não estarás mais só

porque seremos muitos a repetir o gesto

que há tanto tempo nos ensinastes:

estenderemos os braços,

abertos enormes imensos

como os do Redentor no Corcovado,

frágeis e doentes

machucados feridos apodrecidos

como os dos meus (e teus) meninos,

das ruas sem fim

no sofrimento sem fim

desta cidade que não os quer.

E então finalmente te verei sorrindo

como e com a minha gente.

Venha, meu Senhor, não chores,

venha aqui,

São Paulo, Brasil,

Terra de Santa Cruz

Terra de Vera Cruz

e faça de nossa Terra a Tua

que não te daremos só uma parede,

mas um País inteiro.

São Paulo, Brasil, novembro 2009

Edith Moniz

Paolo D’Aprile