Bem Abertos, ben aperti

È vero, è arrivata l’ora di aprire gli occhi.

Abbiamo pensato a quello che non vorremmo vedere. La lista è interminabile. E per non farci prendere dallo sconforto dobbiamo allora cambiare tattica e pensare a quello che possiamo sentire, guardare, vedere, percepire, capire al tenere gli occhi aperti, “bem abertos”, ben aperti.

Le nostre forze sono quelle che sono… probabilmente inversamente proporzionali alle nostre volontà. E quando un giorno ci domanderanno: ma voi, dove… cosa… quando? Per lo meno, nonostante i risultati così poco esaltanti, potremo rispondere che:

Con gli occhi ben aperti

sento tutto il sapore del mio mondo

anche quando si nasconde dietro inutilità e fantasie

per non permettere che io sappia la sua fragilità.

Al guardare,

abito la lentezza del passo della mia gente

vestita a festa per nascondere il lutto

della vita sofferta in mille tentativi frustrati.

Al vedere,

provo l’allegria della sofferenza:

i miei meninos,

trasfigurati nell’ebrezza assassina

della luce oscura della morte,

pronunciare coi loro corpi il nome del male.

Con gli occhi ben aperti,

custodisco in me la santità del silenzio in muta preghiera

delle mani senza più niente da offrire,

solamente la fatica delle mani

mute dal tanto gridare.

Le pietre pestate della mia anima

desiderano la pace e il riposo che mai sarà

Per questo non voglio fermarmi:

Vado

Sento

Guardo

Vedo

Preservo

E,

con gli occhi ben aperti,

-senza più barriere –

lascerò il sole, finalmente, entrare.

Edith Moniz

Paolo D’Aprile

São Paulo, Brasil, Festa di Macondo 2009

É verdade, chegou a hora de abrir os olhos.

Pensamos naquilo que não queríamos ver. A lista é interminável. E para não cair vítimas do desconforto, temos então de mudar de tática e pensar naquilo que podemos sentir, olhar, enxergar, perceber, entender ao ficar de olhos abertos, bem abertos. As nossas forças estão minguando… provavelmente são inversamente proporcionais às nossas vontades. Se um dia nos perguntarem: e vocês, onde… o que… quando? Pelo menos, apesar dos resultados tão pouco exaltantes, poderemos responder que:

De olhos bem abertos

sinto todo o sabor do meu mundo

mesmo quando se esconde atrás de inutilidades e fantasias

para não permitir que eu saiba da sua fragilidade.

Olhando,

habito na pisada dos passos do meu povo

vestido a festa para esconder o luto

da vida sofrida em mil tentativas frustradas.

Vendo,

percebo a alegria do sofrimento:

os meus meninos,

transfigurados na tragada assassina

na luz da escuridão da morte,

pronunciar com a sua própria carne o nome do Mal.

De olhos bem abertos

guardo em mim a santidade do silêncio da prece muda

de mãos sem mais nada a oferecer,

somente o ronco das mãos

mudas de tanto gritar.

As pedras pisadas da minha alma

desejam a paz e o descanso que nunca chegará.

Por isso não quero parar:

Vou

Sinto

Olho

Vejo

Guardo

E,

de olhos bem abertos

– sem mais barreiras –

deixarei o sol, finalmente, entrar.

 

Edith Moniz

Paolo D’Aprile

São Paulo, Brasil, Festa de Macondo 2009