Pai do prazer, filho da dor

O samba é pai do prazer, o samba é filho da dor (Il samba è padre del piacere, il samba è figlio del dolore) – Gilberto Gil e Caetano Veloso

Disse il poeta che il samba è a tristeza que balança, la tristezza che dondola.

Gli amici che vengono da lontano si scandalizzano quando vedono che in mezzo alla penuria più assoluta della favela urbana, tutti possiedono gli stessi beni di consumo che loro stessi custodiscono con tanto zelo nel conforto delle loro case: fornelli, frigorifero, televisione, telefonino, computer, I-pod… Non è possibile, dicono, non hanno nemmeno le fogne, vivono in baracche e hanno tutto quello che abbiamo noi? Non è possibile… E così si dimenticano che secoli fa ci hanno comprato con gli specchietti e un paio di coltelli. Abbiamo abboccato, ci siamo cascati e ci abbiamo creduto. Adesso è il mercato che ci compra con il discorsino della “inclusione sociale” facendoci credere che il miglioramento delle condizioni di vita passa attraverso l’accesso ai beni che il mondo produce: televisione al plasma, telefonino, I-pod… Tristeza que balança, tristezza che dondola… Io dico che il samba è allegria che piange. Pai do prazer, filho da dor, padre del piacere e figlio del dolore. Il piacere è stato trasformato in un desiderio di acquisto. Hanno detto che adesso il Paese va di bene in meglio, che stiamo uscendo dalla linea della miseria per entrare a far parte della sognata e agognata classe media. Mille menzogne ci hanno illuso per secoli. Mille menzogne. Da troppo tempo tentano di trasformarci in pupazzi schiavi della volontà altrui.

Cosa è rimasto alla mia gente? Il suo canto ancestrale. Il momento nel quale il desiderio e la necessità di riconoscersi nello specchio dello sguardo degli altri diventa insostenibile: il definitivo momento della verità, il momento della verità definitiva. La volontà di auto affermarsi davanti a se stessi. Ci hanno costretto ad una vita di incertezza caricata di promesse. Hanno esposto le nostre più profonde aspirazioni al ludibrio del mondo. Ci hanno spogliato di tutto, siamo rimasti senza niente, nudi, appena con un simbolo, un segno, una memoria.

Gli amici che vengono da lontano non riescono a capire. Pensano alla futilità del momento, del gesto, all’inutilità del nostro giubilo. Trasformano la nostra Festa in attrazione turistica. Essa è l’istante supremo dell’identità popolare; la nostra musica è il catalizzatore delle energie vitali, il ritmo è la pulsazione del nostro vivere. Lavorare per la “futilità” del nostro istante supremo ci riempie di orgoglio, ci fa sentire che apparteniamo a noi stessi, ci fa capire che nonostante tutto amanhã há de ser um novo dia, domani deve essere un nuovo giorno. E in questo ci crediamo.

La mia allegria ha attraversato i mari

Ed è approdata alla passerella

In uno sbarco affascinante

Nel più grande spettacolo della Terra.

Sarò ancora io il signore di questa festa?

Un re

In mezzo a questa gente così modesta.

Sono venuto scendendo le montagne

Pieno di allegria per poter sfilare.

Il mondo intero se lo aspetta:

È oggi è il giorno che il riso piangerà!

È oggi è il giorno della allegria

Che la trsitezza non pensi di venire.

Dimmi, oh specchio mio

Se in questa avenida c’è qualcuno più felice di me!

Dimmi , oh specchio mio

Se in questa avenida c’è qualcuno più felice di me!

(dal samba enredo É hoje, composto da Mestrinho e Didi per la scuola di samba União da Ilha per il Carnevale del 1981)

Carnaval 2009

Edith Moniz

Pai do prazer, filho da dor

O samba é pai do prazer, o samba é filho da dor – Gilberto Gil, Caetano Veloso

O poeta disse que o samba é a tristeza que balança…

Os amigos que vem de longe ficam escandalizados ao perceberem que no meio da penúria mais absoluta da favela urbana, todos possuem os mesmo bens de consumo que eles guardam com tanto esmero no conforto da suas casas: fogão geladeira, televisão, telefone celular, computador, I pod… Não é possível, dizem, não tem esgoto, vivem em barracos e tem tudo aquilo que nos temos, não pode ser… E assim se esquecem que há séculos nos compraram com espelhos e machados. Caímos, feito bobos, na conversa e acreditamos. Agora é o mercado que nos compra com a conversinha mole da chamada “inclusão social”, fazendo-nos acreditar que a melhoria da qualidade vida acontece somente através do acesso aos bens que o mundo produz em série: televisão de plasma, celular, I pod… Tristeza que balança… Eu digo que o samba é a alegria que chora. Pai do prazer, filho da dor. Sim, somos todos filhos da dor. O prazer foi transformado no desejo de compra. Disseram que agora o País vai bem, que estamos saindo da linha da miséria para entrar na tão sonhada e almejada classe media. Mentiras mil iludiram-nos por séculos. Mentiras mil. Há muito tempo tentam nos transformar em joguetes escravos de vontades alheias.

O que sobrou ao meu povo? O seu canto ancestral. O momento no qual o desejo e a necessidade de se reconhecer no espelho do olhar dos outros se torna insustentável: o derradeiro momento da verdade, o memento da verdade derradeira. A vontade de se auto afirmar perante si mesmo. Obrigaram-nos a uma vida de incerteza carregada de promessas. Ludibriaram os nossos mais profundos anseios. Ficamos sem nada, nus, apenas com um símbolo, um signo, uma memória.

Os amigos que vem de longe não conseguem entender. Pensam na futilidade do momento, do gesto, na inutilidade do nosso júbilo. Transformam a nossa Festa naquilo que não é e nunca será: atração turística. Ela é o instante supremo de identidade popular, a nossa musica é a catalisadora de energias vitais, o ritmo é pulsação do nosso viver. Trabalhar para a “futilidade” do nosso instante supremo, nos enche de orgulho, nos faz sentir que pertencemos a nós mesmos, nos faz entender que apesar de tudo, amanhã há de ser outro dia. É nisso que acreditamos.

A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra.
Será que eu serei o dono desta festa?
Um rei
No meio de uma gente tão modesta.
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar.

É hoje o dia da alegria
É a tristeza, nem pode pensar em chegar
Diga espelho meu!
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu!
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu!

(do samba enredo É hoje de Mestrinho e Didi para o desfile de 1981 da União da Ilha)

Carnaval 2009

Edith Moniz