Qui

Lá, onde a neve cai branca e macia, os pinheiros festejam o verdadeiro espírito de Natal.

Là, dove la neve cade morbida e bianca, i pini festeggiano il vero spirito di Natale.

Ossia: qui, dove la neve bianca e morbida non cade e mai cadrà, e neanche sappiamo com’è fatta questa benedetta neve, e i pini quasi non esistono, lo spirito di Natale non lo festeggia nessuno, o meglio, nessuno può festeggiare, nessuno festeggia niente, proprio niente: senza neve, senza pini, niente Natale.

La scritta fa parte della decorazione della via più esclusiva della città dove, secondo la pubblicità, chi vi passa e chi là compra (spende) si sente come se fosse nel “primeiro mundo”. Il problema è (lo si voglia o no) che siamo in un altro posto, dopo il secondo mondo, esattamente nel terzo. Probabilmente il desiderio collettivo è quello di stare là, dove cade la neve, per fingere di essere quello che non si è. In realtà qui stiamo, e qui siamo esattamente quelli che siamo.

Per questo proviamo una vergogna così profonda come mai prima. Sì, una vergogna così. Contro la marea dell’euforia ufficiale dello sviluppo rapido, del rapido arricchirsi e dell’illusione di prosperità economica, mai come oggi siamo stati così vuoti e carichi di vergogna. In fondo sappiamo che raccontiamo a noi stessi una enorme menzogna, in fondo sappiamo che dietro l’orgoglio patriottico continuiamo ad essere uomini e donne piccoli piccoli, meschini. Ma ammetterlo ci fa molto male. Per secoli abbiamo vissuto in una penuria estrema, schiavizzati e umiliati, e quando oggi per la prima volta sembra che il mondo si sia accorto della nostra esistenza, non riusciamo a trattenerci e pensiamo di potere fare (ed essere) tutto quello che non abbiamo mai potuto.

È esattamente in un momento come questo che voglio arrivare a scuotere la sensibilità nel profondo del cuore della mia gente: Fermiamoci, Calmiamoci, Aspettiamo, Interrompiamo, Ascoltiamo! Torniamo a fare attenzione ai nostri veri valori, alla nostra storia di sofferenza, al sangue delle nostre lacrime, non dimentichiamoci chi siamo e da dove veniamo.

Solamente così, fermandosi, calmandosi, aspettando, interrompendo, ascoltando, ricordando, è possibile ricuperare il silenzio necessario per sentire dentro ad ognuno, senza neve né pini, che un bambino, così insignificante come noi, così piccolo e meschino, esattamente come noi, un bambino è nato nelle strade di questa città-mondo, è nato in questo mondo-città, per dare un senso a ogni attimo e a ogni atomo della nostra vita.

È semplice, basta guardarsi attorno, qui, aprire gli occhi e vedere.

È semplice, basta guardarsi dentro, qui, chiudere gli occhi e vedere.

São Paulo, Brasil, Natale 2009

Edith Moniz

Paolo D’Aprile

AQUI

Lá, onde a neve cai branca e macia, os pinheiros festejam o verdadeiro espírito de Natal.

Ou seja: aqui, onde a neve branca e macia nunca cai e nunca cairá, e nem sabemos como é feita esta bendita neve, e os pinheiros quase não existem, ninguém festeja o espírito de Natal, ou melhor, ninguém pode festejar, ninguém festeja nada, nada mesmo: sem neve, sem pinheiros, sem Natal.

A escrita faz parte da decoração da rua mais exclusiva da cidade, onde, conforme a propaganda, quem por lá passa e quem por lá compra (gasta) sente-se como se estivesse no primeiro mundo. O problema é (que queira o que não) que estamos em outro lugar, depois do segundo mundo, exatamente no terceiro. Provavelmente o desejo coletivo é o de estar lá onde a neve cai para fingir ser aquilo que não se é. A realidade é que estamos aqui sendo o que somos.

Por isso que nunca como hoje nos sentimos tão envergonhados. Sim, envergonhados. Contrariando a euforia oficial do desenvolvimento rápido do dinheiro fácil e da ilusão da prosperidade econômica, nunca como hoje estivemos assim, vazios e envergonhados. No fundo sabemos que estamos contando para nos mesmos uma enorme mentira, no fundo sabemos que atrás do orgulho ufanista continuamos a serem homens e mulheres pequenos, mesquinhos. Mas admitir isso nos machuca muito, nos faz mal. Vivemos por séculos numa penúria extrema, vexados e humilhados, e quando hoje pela primeira vez parece que o mundo percebeu a nossa existência, não conseguimos nos conter achando que já podemos tudo o que nunca podíamos.

É exatamente num momento como esse que quero clamar ao mais profundo do coração do nosso povo: Pare, Acalme-se, Espere, Interrompa, Escute! Volte as atenções para os seus verdadeiros valores, para sua historia sofrida, para o sangue das suas lagrimas, não esqueça quem é e de onde vem.

Somente assim, parando, acalmando-se, esperando, interrompendo, escutando, lembrando, é possível recuperar o silêncio necessário para sentir dentro de cada um, sem neve nem pinheiros, que um menino, tão insignificante como nos, tão pequeno e mesquinho, exatamente como nos, um menino nasceu nas ruas desta cidade-mundo, nasceu neste mundo-cidade, para dar sentido a cada átimo e a cada átomo das nossas vidas.

É simples, basta olhar em volta, aqui, abrir os olhos e ver.

É simples, basta olhar dentro de mim, aqui, fechar os olhos e ver.

São Paulo, Brasil, Natal de 2009

Edith Moniz

Paolo D’Aprile