A Troca – Lo Scambio

La più grande compagnia italiana di apparecchi aereo spaziali per la difesa, la Finmeccanica, prevede fino a 4 miliardi di euro (5,33 miliardi di dollari) in ordinazioni dal Brasile per i prossimi anni. La compagnia si sta concentrando sui mercati emergenti per minimizzare la diminuzione delle spese militari nelle altre regioni (Agenzia Reuters)

Mentre in Sud Africa Robinho e Kaká ubriacano le difese di mezzo mondo con i loro dribbling fulminanti, Luís Inácio annuncia ancora una volta a reti unificate che il PIL del primo trimestre di quest’anno è aumentato del 9 virgola vattelapesca % in relazione all’anno scorso, quando si era all’apice della crisi economica globale: siamo il paese, se escludiamo la maledetta Cina, in cui il tasso di crescita è il più alto del mondo e che vincerà per la sesta volta il titolo mondiale. Mentre a Milano Pato e Ronaldinho piangevano lacrime di sangue per non essere stati convocati, Luís Inácio e il Nano Pelato si incontravano a Washington e firmavano un trattato di cooperazione economica. “Il Brasile rappresenta una grande opportunità. È un paese che sta crescendo molto, ha acquistato proiezione politica internazionale e ancora non possiede una industria di difesa molto grande. Questa è per noi una grande possibilità di poter fare affari così come lo è per il Brasile sviluppare questo segmento”, dice il vice presidente del gigantesco conglomerato industriale. “Il Brasile ha la necessità e l’Italia ha la tecnologia” aggiunge sorridendo (suppongo) e sfregandosi le mani. È proprio di questo che avevamo bisogno: una difesa forte, impenetrabile, fatta di Gattusi e Cannavari con la schiuma bavosa agli angoli della bocca pronti ad annichilare con missili spaziali qualunque minaccia avversaria (ma di chi? del Paraguay? dell’Argentina? della Bolivia? dell’Uruguay? del Venezuela? del Suriname? della Guiana? dell’Ecuador? della Colombia? del Perù? del Cile?). Il nostro attacco fa invidia al mondo. Il Nano Pelato quando gli salta il ticchio lo compra. Adesso Luís Inácio vuole una difesa come la vostra. È uno scambio, oggi a me domani a te. Lo scambio si fa tutti i giorni e tutto il giorno per le strade della città-cane, dove un ragazzo chiamato Imperador, come il nuovo attaccante della Roma, così scombussolato dal crack cammina senza camicia, nudo, in un freddo di otto gradi in piena frenesia urla in faccia ai passanti: Brassiiil, Brasiiiil. L’affare di cinque miliardi di dollari in armi, carri armati, missili e sistema difensivi per satellite, dipende certamente anche da colui che sarà il prossimo presidente della Repubblica. Qualche anno fa partecipai ad una riunione all’ambasciata italiana dove le ONG e le decine di associazioni del paese di Buffon e Lippi, mostravano alle autorità i loro progetti di intervento sociale nella casa di Maicon e Ramirez: cose grandi, ragazzi, cose fino a 20 milioni di euro! Il paese del pallone e del carnevale è terra fertile per tutti gli investitori del mondo: per chi vuole comprare attaccanti, per chi vuole impiantare progetti sociali e adesso pure per quelli che vogliono vendere la difesa! Ritornando al ragazzo chiamato Imperador e allo scambio che succede tutti i giorni nelle strade della città-cane: esiste un palazzo di dieci piani nel quale ogni appartamento è suddiviso con pareti di compensato in decine di stanzette dove ci sta appena un letto o un materasso per terra. Per le scale, dal portone fino all’ultimo piano, parcheggiate semi nude ragazze di tutte le età. Ogni stanzetta ogni materasso per ciascuna ragazza. Quindici minuti per venti reais, venti reais per quindici minuti. Uno scambio.

È sufficiente attraversare la strada per entrare nella sede del commissariato. La polizia federale è a un tiro di schioppo, la polizia militare a cinquanta passi, la polizia metropolitana dietro l’angolo. Il palazzo dell’allegria esiste da vent’anni. Il ragazzo Imperador ha i giorni contati. Forse non sopravviverà per vedere il Brasile campione del mondo per la sesta volta: molto delirio, molta droga, molto freddo sotto ai ponti.

E allora, volete scambiare qualcos’altro, o siete già in vacanza?

São Paulo, città-cane, Mondiali 2010

Edith Moniz

Paolo D’Aprile

A Troca – Lo Scambio

A maior companhia de defesa e equipamentos aeroespaciais da Itália, Finmeccanica, prevê até 4 bilhões de euros (5,33 bilhões de dólares) em encomendas do Brasil nos próximos anos. A companhia está se concentrando em mercados emergentes para minimizar a fraqueza nos gastos com defesa em outras regiões (Agência Reuters)

Enquanto na África do Sul Robinho e Kaká entortam as defesas de meio mundo com os seus dribles fulminantes, Luis Inácio anuncia mais uma vez a redes unificadas que o PIB do primeiro trimestre deste ano subiu 9 virgula tralálá % em relação ao ano passado, no auge da crise econômica global: somos o país, fora a maldita China, que mais cresceu no mundo e que vencerá pela sexta vez o título mundial. Enquanto, em Milão, Pato e Ronaldinho choravam lágrimas de sangue por não terem sido convocados, Luis Inácio e o Nano Pelato encontravam-se em Washingthon e assinavam um tratado de cooperação econômica. “O Brasil representa uma grande oportunidade. É um país que está crescendo muito, tem ganhado projeção política internacional e ainda não possui uma indústria de Defesa muito grande. Isso é tanto uma chance para nós fazermos negócios quanto para o país desenvolver esse segmento”, diz o vice-presidente do gigantesco conglomerado industrial. “O Brasil tem a necessidade e a Itália tem a tecnologia” acrescenta sorrindo (suponho) e esfregando-se as mãos. É disso que estávamos precisando: uma defesa forte, impenetrável, feita de Gattusos e Cannavaros com a espuma da baba escorrendo pelos cantos da boca prontos para aniquilar com mísseis espaciais qualquer ameaça adversária (mas de quem? do Paraguay? da Argentina? da Bolívia? do Uruguay? da Venezuela? do Suriname? da Guiana? do Equador? da Colômbia? do Peru? Do Chile?). O nosso ataque é de dar inveja ao mundo. O Nano Pelato sempre que pode compra-o. Agora Luis Inácio quer a defesa como a de vocês. É uma troca, oggi a me domani a te. A troca acontece todo dia e o dia todo nas ruas da cidade cão, onde um garoto chamado Imperador, como o novo atacante da Roma, de tão atordoado pelo crack anda sem camisa num frio de oito graus gritando sem parar na cara dos transeuntes: Brasiiil Brasiiil. O negócio de cinco bilhões de dólares em armas, tanques, mísseis e sistemas defensivos por satélites, depende certamente também de quem será o próximo Presidente da República. Á alguns anos participei de uma reunião na embaixada da Itália onde as ONG e as dezenas de associações do país de Buffon e Lippi, mostravam para as autoridades os seus projetos e intervenções sócias na casa de Maicon e Ramirez: coisas grandes, gente, coisas de até 20 milhões de euros! O País do futebol é terra fértil para todos os investidores do mundo: para quem quer comprar atacantes, para quem quer implantar projetos sociais e agora também para aqueles que querem vender a defesa! Voltando ao garoto chamado Imperador e a troca que acontece todo o dia nas ruas da cidade cão: há um prédio de dez andares no qual cada apartamento é subdividido com tapume em dezenas de pequenos cômodos onde cabe apenas uma cama ou um colchonete no chão. Pela escada, do portão até o último andar, estacionam semi nuas meninas de todas as idades. Cada cubículo, cada colchonete para cada menina. Quinze minutos por vinte reais, vinte reais por quinze minutos. Uma troca.

É suficiente atravessar a rua para entrar na sede da delegacia. A polícia federal fica a uma quadra dali. A militar a cinqüenta passos, a metropolitana atrás da esquina. O prédio da alegria existe a mais de vinte anos. O garoto Imperador tem os dias contados. Talvez não sobreviva para ver o Brasil campeão pela sxta vez: muito delírio, muita droga, muito frio de baixo da ponte.

Então, querem trocar mais alguma coisa, ou já saíram de férias?

São Paulo, cidade-cão, Copa do Mundo de futebol 2010

Edith Moniz

Paolo D’Aprile