Mulheres

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Quando Lula passerà la fascia presidenziale a Estela, avrà le lacrime agli occhi. Perfino gli avversari si commuoveranno: per la prima volta nella storia il Paese sarà guidato da una donna. Cinquantasei milioni di voti, il destino di una nazione. Trasformare il Brasile in un colosso internazionale, dare finalmente dignità al suo popolo, alla sua gente.
Lúcia rimase in prigione per tre anni e venne torturata nei modi più abbietti. Qualche anno fa, già nella posizione di ministro, quando interpellata da una commissione parlamentare di inchiesta istituita per indagare la marea di scandali di corruzione del governo, venne apostrofata con sarcasmo: “Come facciamo a crederle, se ha sempre mentito, se quando venne interrogata dalla polizia mentì per tre anni consecutivi…?”  Luiza fissò negli occhi colui che osò parlarle in quel modo e rispose: “Avevo diciannove anni, venni arrestata e torturata barbaramente, e dire la verità sotto tortura significa consegnare i compagni alla morte. Io, grazie a Dio, riuscii a mentire”. La sala, davanti alla sua voce alterata e al suo sguardo assoluto, sprofondò nel silenzio.
I miei vicini di casa sono in lutto. Non possono concepire come una “bandita” sia  oggi  Presidente della Repubblica. I miei vicini di casa non perdono occasione di insegnarmi che Patrícia è una criminale pronta a sbranarci tutti, pronta a dare il via alle invasioni di terra, a distruggere la proprietà privata e a costringere le donne ad abortire. Lo ha detto pure il congresso dei pastori evangelici e dei vescovi cattolici. Non votate per chi è a favore dell’aborto, per chi è a favore della morte! Il candidato avversario sfilava con un rosario in mano e sui volantini la sua faccia veniva affiancanta a quella di Gesù tra la frase “Io sono la via la verità e la vita”.
Ho ascoltato attentamente il primo discorso di Wanda. Ieri, nel calore della vittoria, ha preferito leggere per non dimenticarsi di niente, per non commettere errori, per essere il più chiara possibile. Mi ha colpito una frase, la stessa che tanti anni fa disse Maria e che decidemmo porre come epigrafe alla raccolta dei nostri scritti chiamata “Proprio Qui”. In quei giorni Maria era alla fine della sua vita, un tumore le devastava il corpo, ma non la sua anima. Disse Maria:  “…è impossibile appoggiare la testa sul cuscino e dormire in pace finché qualcuno, bambino o anziano, continua privato della sua dignità di persona umana”.
Dice Marina:  “Non  potremo riposare fino a quando esisterà gente che sta morendo di fame, fino a quando ci saranno intere famiglie che stanno vivendo per la strada, mentre i bambini poveri vengono abbandonati alla loro sorte, fino a quando ci sarà il regno del crack e della crackolandia. Sradicare la miseria nei prossimi anni è una meta che faccio mia, per la quale chiedo umilmente l’appoggio di tutti quelli che possono aiutare il paese a superare questo abisso che ancora ci separa dal diventare una nazione sviluppata”.
Quando il Paese viveva il suo momento più difficile, una ragazza di 19 anni decise da che parte stare. Decise che era venuto il momento. Entrò nella cladestinità, prese parte alla guerriglia. Si faceva chiamare Estela, Lúcia, Luiza, Patrícia, Wanda, Marina….

Dalla sua nazione, dal suo popolo, dalla sua gente, oggi, è stata eletta Presidente della Repubblica. La signora Rousseff. Finalmente conosciuta da tutti col suo vero nome: Dilma!

São Paulo, Brasil, Elezioni Presidenziali 2010

Edith Moniz

Paolo D’Aprile

Mulheres

Quando Lula passará a faixa presidencial a Estela, terá os olhos rasos d’água. Até os adversários se comoverão: pela primeira vez na história o país será governado por uma mulher.

Cinqüenta e seis milhões de votos, o destino de uma nação. Transformar o Brasil em um colosso internacional, dar finalmente dignidade ao seu povo, a sua gente.

Lúcia ficou na prisão por três anos e foi torturada nos modos mais abjetos. Há algum tempo atrás, já ministra, questionada por uma comissão parlamentar de inquérito instituída para indagar a maré de escândalos de corrupção do governo, foi repreendida com sarcasmo: “como podemos acreditar na senhora, se sempre mentiu, se quando foi interrogada pela polícia mentiu por três anos consecutivos…?”. Luiza encarou olhos nos olhos quem ousou falar com ela daquele jeito e respondeu: “eu tinha dezenove anos, e fui presa e torturada barbaramente, e dizer a verdade ao torturador significa entregar os companheiros para a morte. Eu, graças a Deus, consegui mentir”. A sala, frente a sua voz alterada e ao seu olhar absoluto, desabou em silêncio.

Os meus vizinhos de casa estão de luto. Não podem conceber que uma “bandida” seja hoje presidente da república. Os meus vizinhos de casa não perdem a ocasião de ensinar-me que Patrícia é uma criminosa pronta a dilacerar todos nós. Pronta a dar a largada às invasões de terra, a destruir a propriedade privada e a obrigar as mulheres a abortar. Foi dito também pelo congresso dos pastores evangélicos e pelos bispos católicos: não votem em quem é a favor do aborto, em quem é a favor da morte! O candidato adversário desfilava com o rosário nas mãos e nos santinhos o seu rosto estava junto ao de Jesus, debaixo da frase: eu sou o caminho, a verdade e a vida.

Escutei atentamente o primeiro discurso de Wanda. Ontem, no calor da vitória, preferiu ler para não se esquecer de nada, para não cometer erros, para ser o mais clara possível. Fiquei surpreendido por uma frase, a mesma que há tantos anos disse Maria e que decidimos por como epígrafe na coletânea dos nossos escritos chamada “Bem Ali”. Naqueles dias, Maria estava no final da sua fida, um tumor devastava-lhe o corpo, mas não a sua alma. Disse Maria: “… é impossível apoiar a cabeça no travesseiro e dormir em paz até que alguém, criança ou idoso, continue privado da sua dignidade de pessoa humana”.

Diz Marina: “Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à sua própria sorte, enquanto reinar o crack e as cracolândias. A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida”.

Quando o País vivia o seu momento mais difícil, uma garota de dezenove anos decidiu de que lado estar. Decidiu que havia chegada a hora. Entrou na clandestinidade, participou da guerrilha. Fazia-se chamar de Estela, Lúcia, Luiza, Patrícia, Wanda, Marina…. Pela sua nação, pelo seu povo, pela sua gente, hoje, foi eleita Presidente da República. A senhora Rousseff. Finalmente conhecida por todos com o seu nome verdadeiro: Dilma!

São Paulo, Brasil, Eleições 2010

Edith Moniz

Paolo D’Aprile