A resposta

Ri-incontrare. Ri-vivere. Ri-nascere.

Vorrei tanto essere capace di fermare il mondo in questo esatto istante, nell’abbraccio dei miei amici. Vorrei tanto essere capace di fermare gli anni, i miei anni andati e quelli che verranno.

Affrontare un’altra volta faccia a faccia una parte della mia storia: è emozione nelle viscere, è vita vissuta.

È tornata e mi ha chiamato. La mia amica è tornata dopo anni nelle sua casetta semplice dalla porta sempre aperta, grande come il suo amore per la vita e per il mondo. Adesso corrono tutti agli abbracci e ai silenzi con cui guardo negli occhi di ciascuno. Siamo noi, di nuovo, siamo noi. Qui: un pezzo della mia terra che sembra immune al tempo e alle sue false lusinghe fatte di elettrodomestici e credito facile promosso dal populismo di un presidente barbuto.

Un pezzo della mia Terra del mio Paese che sopravvive nell’indifferenza del mondo. Un pezzo di me e della mia storia.

Parlano con me attraverso i loro corpi meravigliosi sostenendo la più grande delle esperienze umane: l’amore alla vita. I miei amici hanno affrontato e vinto tutte le avversità, hanno trasformato il mondo e adesso prosperano nell’allegria della festa. L’allegria dei figli che nonostante tutto hanno il coraggio e la dignità di mettere al mondo, la festa di questi bambini eterni che si rinnova ad ogni risata e che adesso abbraccio uno ad uno nelle lacrime sul mio viso. Né il fuoco dei narcos, né la fame, né le mille umiliazioni sono riuscite a zittire i miei amici. Dopo tutti questi anni, ritenuti ancora come la scoria della città, essi sono ancora qui: vivi.

Sgorga dall’universo intorno a me una risposta senza domanda. Una risposta che se fosse ascoltata smonterebbe qualunque teoria, qualunque programma ufficiale, qualunque intervento di qualunque Ong. È la risposta di queste meravigliose mulheres del mio popolo che resistono e salvano la famiglia sotto il fuoco incrociato delle facili illusioni, è la risposta di questi meninos senza età fatti di occhi e risate. È la risposta dei piedi che continuano a pestare il suolo benedetto del mio Paese, è la risposta del Sì. Il Sì pronunciato con la vita di lavoro duro nella miseria più nera. Il Sì del riscatto della felicità e dell’amore. L’amore che dice Sì. Oggi, nella più piccola favela della più grande tra le città, io, i miei amici che Ri-incontro, Ri-abbraccio e con cui Ri-nasco e Ri-vivo, diciamo Sì.

São Paulo, Brasil, XXI secolo

Edith Moniz

A Resposta

Re-encontrar. Re-viver. Re-nascer.

Gostaria de poder ser capaz de parar o mundo neste exato instante, no abraço dos meus amigos.

Gostaria de poder ser capaz de parar os anos, os meus anos idos e os que virão.

Encarar de novo uma parte da minha história: é emoção nas entranhas, é vida vivida.

Voltou e me chamou. A minha amiga voltou depois de anos na sua casinha simples da porta sempre aberta, do tamanho do seu amor à vida e ao mundo. Agora correm todos aos abraços e aos silêncios com que olho nos olhos de cada um. Somo nós de novo. Aqui: um pedaço da minha Terra que parece imune ao tempo e as suas falsas promessas feitas de eletrodomésticos e crédito fácil promovido pelo populismo de um presidente barbudo. Um pedaço da minha Terra do meu País que sobrevive na indiferença do mundo. Um pedaço de mim e da minha história.

Falam comigo através dos seus corpos maravilhosos carregando a maior das experiências humanas: o amor à vida. Os meus amigos venceram todas as adversidades, transformaram o mundo e agora prosperam na alegria da festa. A alegria dos filhos que, apesar de tudo, tem a coragem e a dignidade de por no mundo, a festa destas crianças eternas que se renovam a cada risada e que abraço uma por uma nas lágrimas da minha face.

Nem o fogo dos traficantes, nem a fome, nem as mil humilhações conseguiram calar os meus amigos. Depois de todos estes anos, tidos como a escória da cidade, ainda estão aqui: vivos.

Brota do universo ao meu redor uma resposta sem pergunta. Uma resposta que se fosse ouvida desmontaria qualquer teoria, qualquer programa oficial, qualquer intervenção de qualquer Ong. È a resposta destas maravilhosas mulheres do meu povo que seguram e salvam a família debaixo do fogo cruzado das fáceis ilusões, é a resposta destas crianças sem idade, feitas de olhos e risadas. É a resposta dos pés que continuam pisando o chão abençoado do meu País, è a resposta do Sim. O Sim dito com a vida de trabalho duro na miséria mais negra. O Sim do resgate da felicidade e do amor. O amor que diz Sim. Hoje, na menor favela da maior das cidades, eu, os meus amigos que re-encontro, re-abraço e com que re-nasço e re-vivo, dizemos Sim.

São Paulo, Brasil, sec. XXI

Edith Moniz